domingo, 13 de dezembro de 2015

Natal na Madeira

Texto publicado no Diário do Sul de Évora na edição de 10 Dez 2015



Natal na Madeira
 
... no meu imaginário de madeirense,  recordo:



… a Festa como é conhecida a quadra natalícia na Madeira, sempre vivida com muita intensidade por toda a população. As famílias visitam-se e provam os licores caseiros de diversos aromas: anis, laranja, tangerina, maracujá e tim tam tum. Em todas as casas não falta a carne de vinho e alhos, o bolo e broas de mel e outras iguarias, por vezes, desconhecidas durante o resto do ano.






… e as Missas do Parto que nem o frio nem a chuva das manhãs de Inverno demoviam a criançada e os adultos de se levantarem bem cedo, por volta das 5 da manha, para irem às Missas do Parto. São uma tradição que vem de longe e que se realiza em todas as freguesias da Madeira. A primeira tem lugar a 16 Dez e a ultima a 24 Dez. É hábito durante a celebração religiosa, muitos fiéis entregarem à paróquia pequenas lembranças. Estas oferendas eram levadas através das tradicionais "romagens" de homens e mulheres vestidos com trajes tradicionais. Depois da missa, a festa continuava pelas ruas e no adro da igreja. Era tempo de provar os licores e a doçaria caseira ao som das músicas típicas da quadra natalícia acompanhadas por instrumentos tradicionais: as gaitas, os machetes e violas de arame entre outros

…e as tradicionais Lapinhas como são conhecidos os presépios na minha terra. Tinham 2 versões: a escadinha e a rochinha. Na minha casa a tradição ficava-se pela escadinha. Era armada em cima da cómoda ou mesa, com 2 / 3 degraus em que no cimo se colocava uma Imagem do Menino Jesus de pé. Nos diversos degraus eram colocadas fruta, pequenos vasos de trigo, imagens de pastores e outros adornos que por vezes nada tinham a ver com a quadra. Era feito um arco à volta do menino com ramos de “Alegra Campo”, onde as crianças penduravam os balões. Na rochinha as pessoas tentavam recriar a paisagem da Ilha.





... que saudades da Noite do Mercado. Na noite de 23 Dezembro toda a família convergia para a cidade, para o mercado dos lavradores. Faziam-se as últimas compras de Natal. Por vezes, era nesta noite que se comprava o Pinheiro e o Alegra Campo.













… e que saudades da Missa do Galo. Na noite de 24, à meia-noite, toda a família se dirigia para o Igreja da sua localidade. Ambiente de festa e alegria. Todos cantavam as canções alusivas a época. Os templos enchiam-se de povo. Na rua a rapaziada ia fazendo estalar as “bombas” assustando as raparigas e os graúdos também. Nas zonas mais rurais a deslocação para a Missa era feita em grupos que tocavam e cantavam ao desafio. No regresso a casa, a família reunia à mesa para tomar a tradicional canja, comer sandes de galinha, doces e saborear os licores caseiros.













... no Dia de Natal, enquanto os adultos prolongavam o seu descanso matinal, a criançada levanta-se cedo e corria para a cozinha, para o fogão, onde o Pai Natal, durante a noite, descera pela chaminé  e deixara os presentes. O resto do dia era passado em família. Ao almoço, o prato tradicional, era a carne de vinho e alhos













... finalmente chegava a noite de Fim do Ano. O anfiteatro do Funchal transformava-se num presépio iluminado. A cidade enchia-se de turistas. Manifestações culturais aconteciam por todo o lado. Todos iluminavam as suas habitações. Todos estendiam as suas gambiarras de lâmpadas coloridas. Das varandas lançava-se “fogo” de todas as maneiras, feitios e tamanhos. Eram as estrelinhas, os beijinhos, os foguetinhos, as bombas pequenitas e maiores num sem fim de material para queimar em pouco tempo. Entretanto todos procuravam as zonas mais altas de forma a melhor visualizarem a baía do Funchal. Finalmente a meia-noite. Do mar ouviam-se as sirenes dos cruzeiros e demais embarcações. O espetáculo pirotécnico começava com coreografias e uma conjugação de cores harmoniosas a estalar por todos os lados. Todos se cumprimentavam e desejavam um Bom Ano.







... no Dia de Reis as pessoas percorria as casas de amigos e familiares, tocando e cantando canções adequadas à época.









... as comemorações natalícias continuavam até o Dia Santo Amaro (15 de Janeiro). Grupos de homens e mulheres apresentavam-se às portas dos seus amigos e famílias, munidos de uma vassoura. Havia que varrer os armários. A Festa tinha acabado. Desmanchavam-se a lapinha e o pinheiro, comiam-se e bebiam-se os últimos doces e licores.



Hoje, graças ao empenho de muitos grupos sociais, grupos de música tradicional e juntas de freguesia, todas estas tradições não morreram. Muitas delas continuam com grande visibilidade.
 
Carlos Moniz


Dez 2015


 

domingo, 21 de junho de 2015

O Golfe na Feira de S João


Noticia publicada no Diário do Sul

O Golfe na Feira de S. João

O Clube de Golfe de Evora vai levar o golfe à feira de S. João.

Esta será uma oportunidade dos jovens, acompanhados das suas famílias, poderem experimentar a prática desta modalidade, ensaiar as suas primeiras tacadas e participar num Mini Circuito de Golfe.

Esta iniciativa do CGE, será realizada em parceria com o Agrupamento de escolas Severim de Faria e Agrupamento nº 2 de Escolas de Évora, contando com o apoio da Camara Municipal de Évora e do Desporto Escolar.

Este evento só é possível graças à disponibilidade do “Projeto Drive” da Federação Portuguesa de Golfe, cujo principal objetivo é levar o golfe às escolas promovendo a prática da modalidade junto das camadas jovens de forma a aumentar o número de praticantes e combater o estigma elitista da modalidade. Os parceiros desta iniciativa inédita da FPG – Projeto Drive - são o R&A de St. Andrews, o Ryder Cup European Development Trust, o Portugal Masters/European Tour, a PGA de Portugal, a Peugeot e a Multi Mall Management. A FPG conta ainda com os apoios institucionais do Instituto Português do Desporto e Juventude, do Ministério da Educação e de várias Autarquias nomeadamente da Camara Municipal de Évora

Visite-nos, na Feira de S. João, a partir de 24 de Junho, na área do Parque Infantil e experimente o prazer e uma tacada de golfe.

domingo, 5 de abril de 2015

A Minha Medalha de Combatente


Desabafo

Finalmente recebi a minha, mais que merecida, medalha de combatente nas “Campanhas e Comissões Especiais das Forças Armadas Portuguesas – Guiné 1970-72”





Recebi um telefonema do Sr. Sargento Ajudante  (Já não me recordo o nome ) que me informou ter já disponível a minha medalha de combatente.

Simpaticamente,  informou-me da forma de a receber


·         Dirigir-me ao Quarte General de Évora, Secção de Pessoal, onde teria lugar a cerimónia de entrega  ou

·         Cerimonia do Dia do Combatente , no próximo dia 9 de Abril, organizada pela Liga dos Combatentes de Évora.


A minha ânsia de receber a medalha era tão grande que  optei por dirigir-me, de imediato,  ao Quartel General à dita secção de Pessoal !

Fui recebido à porta de armas pelo soldado (?), que com toda a respeitabilidade de um militar, bateu os tacões das sua botas bem luzidias e, com uma continência aprumada me saudou. Considerando o fim que me levava aquele espaço militar, pensei:  finalmente, alguém esta a reconhecer  os meus valiosos atos heroicos de combatente em terras africanas.

Fui conduzido à  dita Secção de Pessoal e anunciado aos vários militares que lá estavam,  da minha presença e do fim que me levava àquela unidade militar. Alguém apontou para um sargento que estava ao fundo da sala,  como a pessoa que trataria  da entrega da tão aguardada condecoração. Avancei na sua direção e, ainda sentado no seu posto de trabalho, questionou:


- É o Sr. Carlos Moniz que esteve na Guine entre 70/72 ?

- Sou eu mesmo, em pessoa.

 

Levantou-se  do seu posto de trabalho, dirigiu-se a um armário encostada a uma parede do outro lado sala,  tirou de lá a caixa que continha a condecoração. Veio na minha direção e disse: Aqui tem a sua medalha.

Despediu-se  e voltou a sentar-se numa cadeira, que me pareceu pouco confortável,  em frente de uma secretária atolada de papeis. Quando já ia de saída, questionou-me se eu conhecia um tal ( ? ), pois tinha lá a medalha dele mas não tinha qualquer contacto! Não, não conheço, respondi-lhe.

Saí desiludido e triste. Não houve discurso, nem fotografo e não fui cumprimento por uma alta hierarquia militar.


Carlos Moniz