Desabafo
Finalmente recebi a minha, mais que
merecida, medalha de combatente nas “Campanhas e Comissões Especiais das Forças
Armadas Portuguesas – Guiné 1970-72”
Recebi um telefonema do Sr. Sargento
Ajudante (Já não me recordo o nome ) que me informou ter já disponível a
minha medalha de combatente.
Simpaticamente, informou-me da
forma de a receber
· Dirigir-me ao Quarte General de Évora,
Secção de Pessoal, onde teria lugar a cerimónia de entrega ou
· Cerimonia do Dia do Combatente , no
próximo dia 9 de Abril, organizada pela Liga dos Combatentes de Évora.
A minha ânsia de receber a medalha era
tão grande que optei por dirigir-me, de imediato, ao Quartel
General à dita secção de Pessoal !
Fui recebido à porta de armas pelo
soldado (?), que com toda a respeitabilidade de um militar, bateu os tacões das
sua botas bem luzidias e, com uma continência aprumada me saudou. Considerando
o fim que me levava aquele espaço militar, pensei: finalmente, alguém
esta a reconhecer os meus valiosos atos heroicos de combatente em terras
africanas.
Fui conduzido à dita Secção de
Pessoal e anunciado aos vários militares que lá estavam, da minha
presença e do fim que me levava àquela unidade militar. Alguém apontou para um
sargento que estava ao fundo da sala, como a pessoa que trataria da
entrega da tão aguardada condecoração. Avancei na sua direção e, ainda sentado
no seu posto de trabalho, questionou:
-
É o Sr. Carlos Moniz que esteve na Guine entre 70/72 ?
-
Sou eu mesmo, em pessoa.
Levantou-se do seu posto de
trabalho, dirigiu-se a um armário encostada a uma parede do outro lado
sala, tirou de lá a caixa que continha a condecoração. Veio na minha
direção e disse: Aqui tem a sua medalha.
Despediu-se e voltou a sentar-se
numa cadeira, que me pareceu pouco confortável, em frente de uma
secretária atolada de papeis. Quando já ia de saída, questionou-me se eu
conhecia um tal ( ? ), pois tinha lá a medalha dele mas não tinha qualquer
contacto! Não, não conheço, respondi-lhe.
Saí desiludido e triste. Não houve
discurso, nem fotografo e não fui cumprimento por uma alta hierarquia militar.
Carlos Moniz