domingo, 5 de abril de 2015

A Minha Medalha de Combatente


Desabafo

Finalmente recebi a minha, mais que merecida, medalha de combatente nas “Campanhas e Comissões Especiais das Forças Armadas Portuguesas – Guiné 1970-72”





Recebi um telefonema do Sr. Sargento Ajudante  (Já não me recordo o nome ) que me informou ter já disponível a minha medalha de combatente.

Simpaticamente,  informou-me da forma de a receber


·         Dirigir-me ao Quarte General de Évora, Secção de Pessoal, onde teria lugar a cerimónia de entrega  ou

·         Cerimonia do Dia do Combatente , no próximo dia 9 de Abril, organizada pela Liga dos Combatentes de Évora.


A minha ânsia de receber a medalha era tão grande que  optei por dirigir-me, de imediato,  ao Quartel General à dita secção de Pessoal !

Fui recebido à porta de armas pelo soldado (?), que com toda a respeitabilidade de um militar, bateu os tacões das sua botas bem luzidias e, com uma continência aprumada me saudou. Considerando o fim que me levava aquele espaço militar, pensei:  finalmente, alguém esta a reconhecer  os meus valiosos atos heroicos de combatente em terras africanas.

Fui conduzido à  dita Secção de Pessoal e anunciado aos vários militares que lá estavam,  da minha presença e do fim que me levava àquela unidade militar. Alguém apontou para um sargento que estava ao fundo da sala,  como a pessoa que trataria  da entrega da tão aguardada condecoração. Avancei na sua direção e, ainda sentado no seu posto de trabalho, questionou:


- É o Sr. Carlos Moniz que esteve na Guine entre 70/72 ?

- Sou eu mesmo, em pessoa.

 

Levantou-se  do seu posto de trabalho, dirigiu-se a um armário encostada a uma parede do outro lado sala,  tirou de lá a caixa que continha a condecoração. Veio na minha direção e disse: Aqui tem a sua medalha.

Despediu-se  e voltou a sentar-se numa cadeira, que me pareceu pouco confortável,  em frente de uma secretária atolada de papeis. Quando já ia de saída, questionou-me se eu conhecia um tal ( ? ), pois tinha lá a medalha dele mas não tinha qualquer contacto! Não, não conheço, respondi-lhe.

Saí desiludido e triste. Não houve discurso, nem fotografo e não fui cumprimento por uma alta hierarquia militar.


Carlos Moniz

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