O MEU 25 DE ABRIL
Era quarta-feira. Vivia em Lisboa. Trabalhava no Banco Fernandes Magalhães e estudava, como aluno nocturno, no Instituto Comercial de Lisboa.
Com todos os dias, saí de casa por volta das 7.45 horas para apanhar o comboio na estação de Santa Cruz. Tinha ouvido notícias de que algo de estranho se passava. Ao contrário de muitos que agora, passados 40 anos, falam do 25 de Abril com sabedoria, a minha cultura política, como a grande maioria dos portugueses, à época, era reduzida e não dava para entender e perceber em concreto o que se passava.
Fiz a guerra do Ultramar. Participei em manifestações organizadas pela Associação de Estudantes do meu Instituto contra a guerra do Ultramar, contra a guerra no Vietname e outras. Assisti aos célebres concertos de música de intervenção com Zeca Afonso, Adriano e outros na cantina da Faculdade de Ciências, no Técnico. Enfim, tudo isto, correr e fugir, depois de algumas intervenções da PIDE era um desafio dos felizes vinte anos e rebeldia de estudante. Fujam! Fujam! Vem aí a PIDE.
Entretanto, nessa manhã de quarta-feira, 25 de Abril, fiz o caminho normal para o Banco em plena Praça do Rossio. O Banco tinha as portas fechadas. Há uma revolução!
Os tanques e viaturas militares circulavam pela baixa de Lisboa. Muita algazarra. Juntei-me a alguns colegas e corremos para o Terreiro do Paço. Acompanhamos a coluna militar até ao Carmo. Fomos à Rua Maria Cardoso onde estavam as instalações da PIDE. Ainda tudo estava calmo. Assisti a todo o desenrolar dos acontecimentos no Largo do Carmo até à saída do Marcelo Caetano numa chaimite. Gritei como todos os outros: Fascista, fascista... e tantas outras coisas!
A noite chegou, fui para aulas. O Instituto estava fechado.
Voltei para casa mais cedo que o habitual e sentei-me no sofá a ver as noticias!
quinta-feira, 24 de abril de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Jantar Convivio dos Ex Banco Fernandes Magalhães
Jantar
Convívio de colaboradores
do
Ex-
Banco Fernandes Magalhães de Arraiolos
Indo
ao encontro há manifestado, os antigos colaboradores do ex-Banco Fernandes Magalhães,
no passado dia 15 de Março, passaram da conversa à ação e reuniram-se, com as
suas famílias, num jantar convívio no restaurante o Parque dos Leitões em Arraiolos
Tudo
seria um jantar normal, não fosse o acaso e a particularidade de coincidir este
evento com o aniversário de um dos antigos colaboradores – o Morais - que, para
além de colega do Banco, é também proprietário do restaurante Parque dos Leitões para onde estava
marcado o jantar. Aproveitando todos estes fatos, com a conivência da esposa do
Morais, o jantar foi marcado em simultâneo com a festa que a esposa lhe tinha
reservado, em surpresa, para os amigos e família. Convínhamos que a surpresa
resultou e o nosso colega e amigo Morais, felizmente ainda não sofrendo de
coração, foi confrontado com a presença de todos os antigos colegas. A emoção
foi grande mas resistiu!
Foi
perante uma ementa recheada de boas iguarias, entre uma grande diversidade de entradas,
pratos quentes de peixe e carne, onde não faltou o famoso leitão no formo
especialidade da casa, que decorreu este encontro de antigos colegas do BFM.
Foi um agradável convívio onde o avivar de algumas recordações mais apagadas
pelos cabelos brancos da maioria, constituiu o tema das conversas deste evento.
Alguns já não se viam há alguns anos. Embora a grande maioria dos presentes resida
em Arraiolos, houve quem viesse de longe nomeadamente de Évora, Montemor-o-Novo
e Campo Maior. Revivendo velhos tempos, o colega Couto, não perdeu a
oportunidade de cantar alguns fados onde não faltou, a pedido dos presentes, o
fado do Sobreiro. O tempo correu depressa. A noite já era muito longa quando se
partiu o bolo de aniversário do Morais. Entre ofertas de lembranças e
manifestações de regozijo, ficou agendado, para breve, novo encontro.
Não
podemos perder esta oportunidade, sem fazer um pouco de história do ex-Banco
Fernandes Magalhães.
O Banco Fernandes Magalhães foi criado em 1955 na cidade do Porto, na transformação
da Casa Bancária Fernandes Magalhães Lda., fundada em 1905 naquela cidade. Só
em 1969, Manuel Magalhães, filho do fundador, consegue abrir uma filial do
Banco em plena Praça D. Pedro IV (Rossio) em Lisboa. De referir que esta
situação só acontece com Marcelo Caetano uma vez que Salazar apostava em defender
os interesses instalados em Lisboa condicionando, assim, que empresários
nortenhos se expandissem para a capital.
Em 1972
Manuel Magalhães pede a admissão das ações do Banco à cotação na Bolsa de
Lisboa e Porto alienando 20% do capital. É neste contexto que o Banco conhece o
seu crescimento abrindo uma sucursal na Av da Republica também em Lisboa. No
inico de 1973 abre uma Agência em Arraiolos e outra em Castro Marim.
Na sequência
do 25 de Abril a 14 de Março de 1974 o Banco é nacionalizado sendo
posteriormente integrado no Banco Português do Atlântico conjuntamente como o
Banco do Algarve. Como curiosidade, o capital do Banco, à data da
nacionalização, era de 350.000.000 escudos.
Carlos Moniz
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