quinta-feira, 24 de abril de 2014

O Meu 25 de Abril

O MEU 25 DE ABRIL

Era quarta-feira. Vivia em Lisboa. Trabalhava no Banco Fernandes Magalhães e estudava, como aluno nocturno, no Instituto Comercial de Lisboa.
Com todos os dias, saí de casa por volta das 7.45 horas para apanhar o comboio na estação de Santa Cruz. Tinha ouvido notícias de que algo de estranho se passava. Ao contrário de muitos que agora, passados 40 anos, falam do 25 de Abril com sabedoria, a minha cultura política, como a grande maioria dos portugueses, à época, era reduzida e não dava para entender e perceber em concreto o que se passava.
Fiz a guerra do Ultramar. Participei em manifestações organizadas pela Associação de Estudantes do meu Instituto contra a guerra do Ultramar, contra a guerra no Vietname e outras. Assisti aos célebres concertos de música de intervenção com Zeca Afonso, Adriano e outros na cantina da Faculdade de Ciências, no Técnico. Enfim, tudo isto, correr e fugir, depois de algumas intervenções da PIDE era um desafio dos felizes vinte anos e rebeldia de estudante. Fujam! Fujam! Vem aí a PIDE.
Entretanto, nessa manhã de quarta-feira, 25 de Abril, fiz o caminho normal para o Banco em plena Praça do Rossio. O Banco tinha as portas fechadas. Há uma revolução!
Os tanques e viaturas militares circulavam pela baixa de Lisboa. Muita algazarra. Juntei-me a alguns colegas e corremos para o Terreiro do Paço. Acompanhamos a coluna militar até ao Carmo. Fomos à Rua Maria Cardoso onde estavam as instalações da PIDE. Ainda tudo estava calmo. Assisti a todo o desenrolar dos acontecimentos no Largo do Carmo até à saída do Marcelo Caetano numa chaimite. Gritei como todos os outros: Fascista, fascista...  e tantas outras coisas!
A noite chegou, fui para aulas. O Instituto estava fechado.
Voltei para casa mais cedo que o habitual e sentei-me no sofá a ver as noticias!

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