segunda-feira, 22 de outubro de 2012


Divida da CME à empresa “Aguas do Centro Alentejo”

 Tenho acompanhado com alguma expetativa e curiosidade esta questão do empréstimo a contrair pela CME ao abrigo do PAEL no montante de 32 Milhões de Euros.

Perplexo fico,  quando é dito que  50 % do empréstimo é para pagar uma divida de 16 Milhões de Euros à empresa  “Aguas do Centro Alentejo” onde a CME tem 26, 84% do capital (relatório de 2010).

De acordo com o relatório de 2010 (ultimo disponível no site da empresa), a divida da CME era de 7.7 Milhões de euros dos quais 6.6 Milhões de Euros eram considerados vencidos.  Este valor representava 72.6 % das dividas de clientes –CMA, CMB, CMR e CMRM.

É curioso registar, que no site da empresa,  se informa que à data de 30 de Setembro de 2012 as dividas de clientes e acionista é de 26 Milhões de Euros dos quais cerca de 61 % tem prazo superior a 1 ano.

Neste mesmo relatório,  é referida a existência de uma ação no Tribunal de Évora relativa à conversão em ação  ordinária da injunção intentada em Nov. 2010 para cobrança de  5,6 Milhões de Euros.

Em noticia publicado, há poucos dias,  no Diário do Sul, o Sr. Presidente da Camara Municipal de Évora dizia ter sido enganado neste processo da gestão da agua.

Na minha qualidade de eborense, consumidor e pagador de agua e, penso que a grande maioria dos residente nesta cidade, gostariam de perceber, com pormenor, os contornos desta operação que se relaciona com a  “Aguas do Centro Alentejo”: criação da empresa, relação dos custos pagos à empresa e cobrados aos munícipes e o porque desta acumulação de divida se todos os eborenses pagam atempadamente as suas contas de consumo de agua.

Resta-me colocar  algumas questões que gostaria de ver respondidas:


1.   Era simpático que o PSD explicasse porque motivos votou, desta vez, a favor da operação PAEL quando numa 1ª votação tinha recusado.

2.   Toda a população gostaria de saber como se acumulou esta divida. Para onde vão as cobranças dos consumos de agua.

3.   De uma vez por todas, o Sr. Presidente da Camara e os restantes partidos na CME, deveriam explicar aos munícipes, os contornos deste negocio da empresa "Aguas do Centro Alentejo". Não chega o Sr. Presidente dizer  que "foi enganado no negocio".

4.   Chega de politiquice baixa. Não subestimem a inteligência dos eborenses. Senhores do PS, PSD e PCP expliquem aos munícipes, com clareza e isentos de carga ideológica  porque chegamos  a este ponto na empresa  "Aguas do Centro Alentejo".

Será que alguém tem telhados de vidro neste processo ?

 O Mexilhão
(Publicado Blogue Mais Evora 23/10/2012)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Comentadores Políticos
 
José António Saraiva escreveu  na sua crónica, no semanário Sol de ontem,  que nos anos 80 havia meia dúzia de comentadores políticos na televisão, radio e jornais.
Esta informação levou-se a reflectir o seguinte. De então para hoje, o numero de comentadores, dos mais destacados aos mais desconhecidos,  sofreu uma autentica revolução ou seja um crescimento colossal. Todos têm opinião sobre tudo e sobre nada. Falam de tudo como autênticos especialistas. 
Quer na informação escrita quer na falada,  são permanentes os analistas que comentam tudo o que "mexe". As televisões estão cheias de analistas que se gostam muito de ouvir e que, no campo da pura demagogia,  fazem os seus raciocínios políticos, sempre numa óptica ideológica e de uma grande ligeireza e nunca tendo em atenção os reais interesses do pais. Aliás, é neste contexto que as próprias televisões convidam os comentadores em função do que  querem transmitir aos seus telespectadores.  
Embora reservado, também acabo por ouvir, as opiniões de alguns comentadores. Todos teem opinião sobre o que esta mal e poucos ou nenhuns apresentam soluções para os problemas.
Quer dos políticos quer dos comentadores , muitos deles a quem apelido de autênticos "Velhos do Restelo", apenas se ouve criticar tudo e todos e que nos campos das soluções, somente dizerem que há "alternativas".
Pois bem. Ramalho Eanes numa entrevista a RTP1, hoje,  recomendou que o governo deveria  criar um grupo de trabalho que integrasse alguns dos muitos analistas, alguns deles que já tiveram lugares de responsabilidade na politica nacional, para analisarem a situação do país e do alto da sua  sabedoria, proporem soluções alternativas para que os portugueses possam salvaguardar-se deste assalto à mão armada aos seus bolsos - como lhe chamou Marques Mendes.
Reitero a posição do General Ramalho Eanes, pessoa que muito admiro. Apenas acrescento que as tendências sindicais e empresariais deveriam estar presentes. O governo tem de ouvir. O Governo tem de reconhecer que algo vai mal no reino. O governo não pode estar cego na sua ideologia politica que, como já tive oportunidade de dizer, está esgotada. 
                                                                                                    O mexilhão

Crise, mais crise e sempre a crise

... só ouço falar de crise. Nada se analisa sem que a crise esteja sempre presente.
Começo a interiorizar que isto está mesmo mau. Que se advinham tempos muito mais difíceis.
Já muito ouvi dizer que a crise abre portas de oportunidades. Passos Coelho também já disse que a crise deve ser encarada como uma  "janela de oportunidade".
Bom. A Europa em recessão, a China em processo de desaceleração de crescimento, uma crise mundial que se avizinha a passos largos,  problemas de exportação que se agravam, etc, etc.
A tudo isto ser verdade, como resolver o nosso problema ?
Uma sugestão: Acabar com esta politica neoliberal que o governo, numa cegueira ideológica insiste em levar por diante custe o que custar. A experiência  confirma ser um projecto esgotado. Só nos resta  virar-nos para o mercado interno.
Somos 10 milhões de consumidores.
Implementem-se instrumentos de politica tarifaria comercial: Penalizar as importações.Fomentar as exportações . Apoiar a produção nacional. .
Apoiar a produção nacional de bens transacionáveis, cria emprego, aumento o rendimento disponível, aumentam as receitas fiscais, cresce o PIB, em suma todos ficamos a ganhar.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Assisti ao debate das moções de censura ao governo apresentadas pelo PCP e BE. Triste espectáculo. Apenas assisti à crispação dos deputados, ao silencio ruidoso de outros e a momento insólitos de retórica ideológica. Assisti a um mero exercicio de utopia politica dos partidos PCP e BE.  Se alguém, no exterior nos ouve, que dirá desta palhaçada!!!
O debate nada trouxe de útil ao país.
Há uma coisa que fiquei a saber: o PS assumiu uma postura de "ni" ao abster-se na votação. Triste figura. Confirmou, no meu espírito, que não é alternativa de governo.
Também não me parece que o actual governo tenha mão no país. Está a perder a credibilidade. Afigura-se-me que a postura de defesa intransigente de disciplina ideológico está a dominar os verdadeiros interesses do país. Assistimos a uma campanha de promessas que na pratica estão longe de corresponder às expectativas criadas.
Começo a pensar que o tal "governo de salvação nacional" é a alternativa.
PS não é alternativa e o actual governo começa a deixar muita duvida.
Vamos acompanhar

Linhas de Orientação genéricas para minimizar a crise
Carta Aberta ao Sr. 1º Ministro

 

1.       Os sacrifícios de austeridade devem ser assumidos por todos -funcionários públicos, privados, gestores, políticos, reformados, etc. - sem exceções  - e proporcionalmente ao rendimento do trabalho de cada um.

a.       A única exceção é que devem ficar de fora todos os rendimentos inferiores a 1.000 euros

2.       Os cortes nas chamadas “gorduras do estado” devem ser assumidas como uma prioridade e generalizados, doa a quem doer. Sei que todos têm telhados de vidro. O governo não pode querer arranjar exceções para proteger, como está a fazer, os “boys” do PS, do PSD, do CDS e até dos chamados partidos de esquerda – Bloco e PCP.

3.       Criação de instrumentos tarifários de política comercial: Proteção das empresas nacionais, controlo da Balança Comercial, redução de desemprego, receita fiscais:

a.       Subsidio à exportação

b.      Imposto ou/e contingências às importações

c.       Apoio as empresas nacionais associadas ao comércio de bens transacionáveis.

4.       Os cortes nos apoios às fundações, com raras exceções, devem ser assumidos como uma prioridade.

5.       As empresas municipais devem ser integradas nas autarquias e assumidas pelo quadro de pessoal das autarquias. Na grande maioria tratam-se de empresas que foram criadas por interesses particulares desviando funções e pessoal das autarquias.

6.       Idêntico comportamento deve ser assumido para a proliferação de institutos que apenas servem para duplicar funções e, tal como as empresas municipais, gerar cargos para satisfazer interesses partidários.

7.       Aproveite esta “crise” para remodelar o  governo:

a.       Reformular o mega ministério da Economia

b.      Reformular o mega ministério da agricultura

c.       Substituir o ministro Miguel Relvas

8.       Não penalize mais os rendimentos do trabalho

Se assumir esta simples receita, estou certo que ganhará, de novo, a credibilidade  e confiança que o povo em si depositou.
E mais não digo.

20 Out 2012