Comentadores Políticos
José António Saraiva escreveu na sua crónica, no semanário Sol de ontem, que nos anos 80 havia meia dúzia de comentadores políticos na televisão, radio e jornais.
Esta informação levou-se a reflectir o seguinte. De então para hoje, o numero de comentadores, dos mais destacados aos mais desconhecidos, sofreu uma autentica revolução ou seja um crescimento colossal. Todos têm opinião sobre tudo e sobre nada. Falam de tudo como autênticos especialistas.
Quer na informação escrita quer na falada, são permanentes os analistas que comentam tudo o que "mexe". As televisões estão cheias de analistas que se gostam muito de ouvir e que, no campo da pura demagogia, fazem os seus raciocínios políticos, sempre numa óptica ideológica e de uma grande ligeireza e nunca tendo em atenção os reais interesses do pais. Aliás, é neste contexto que as próprias televisões convidam os comentadores em função do que querem transmitir aos seus telespectadores.
Embora reservado, também acabo por ouvir, as opiniões de alguns comentadores. Todos teem opinião sobre o que esta mal e poucos ou nenhuns apresentam soluções para os problemas.
Quer dos políticos quer dos comentadores , muitos deles a quem apelido de autênticos "Velhos do Restelo", apenas se ouve criticar tudo e todos e que nos campos das soluções, somente dizerem que há "alternativas".
Pois bem. Ramalho Eanes numa entrevista a RTP1, hoje, recomendou que o governo deveria criar um grupo de trabalho que integrasse alguns dos muitos analistas, alguns deles que já tiveram lugares de responsabilidade na politica nacional, para analisarem a situação do país e do alto da sua sabedoria, proporem soluções alternativas para que os portugueses possam salvaguardar-se deste assalto à mão armada aos seus bolsos - como lhe chamou Marques Mendes.
Reitero a posição do General Ramalho Eanes, pessoa que muito admiro. Apenas acrescento que as tendências sindicais e empresariais deveriam estar presentes. O governo tem de ouvir. O Governo tem de reconhecer que algo vai mal no reino. O governo não pode estar cego na sua ideologia politica que, como já tive oportunidade de dizer, está esgotada.
O mexilhão
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