Texto publicado no Diário do Sul de Évora na edição de 10 Dez 2015
Natal na
Madeira
...
no meu imaginário de madeirense, recordo:
…
a Festa
como é conhecida a quadra natalícia na Madeira, sempre vivida com muita
intensidade por toda a população. As famílias visitam-se e provam os licores
caseiros de diversos aromas: anis, laranja, tangerina, maracujá e tim tam tum.
Em todas as casas não falta a carne de vinho e alhos, o bolo e broas de mel e
outras iguarias, por vezes, desconhecidas durante o resto do ano.
… e as Missas do Parto que nem o frio nem a chuva das manhãs de Inverno demoviam a criançada e os adultos de se levantarem bem cedo, por volta das 5 da manha, para irem às Missas do Parto. São uma tradição que vem de longe e que se realiza em todas as freguesias da Madeira. A primeira tem lugar a 16 Dez e a ultima a 24 Dez. É hábito durante a celebração religiosa, muitos fiéis entregarem à paróquia pequenas lembranças. Estas oferendas eram levadas através das tradicionais "romagens" de homens e mulheres vestidos com trajes tradicionais. Depois da missa, a festa continuava pelas ruas e no adro da igreja. Era tempo de provar os licores e a doçaria caseira ao som das músicas típicas da quadra natalícia acompanhadas por instrumentos tradicionais: as gaitas, os machetes e violas de arame entre outros
… e as Missas do Parto que nem o frio nem a chuva das manhãs de Inverno demoviam a criançada e os adultos de se levantarem bem cedo, por volta das 5 da manha, para irem às Missas do Parto. São uma tradição que vem de longe e que se realiza em todas as freguesias da Madeira. A primeira tem lugar a 16 Dez e a ultima a 24 Dez. É hábito durante a celebração religiosa, muitos fiéis entregarem à paróquia pequenas lembranças. Estas oferendas eram levadas através das tradicionais "romagens" de homens e mulheres vestidos com trajes tradicionais. Depois da missa, a festa continuava pelas ruas e no adro da igreja. Era tempo de provar os licores e a doçaria caseira ao som das músicas típicas da quadra natalícia acompanhadas por instrumentos tradicionais: as gaitas, os machetes e violas de arame entre outros
…e
as tradicionais Lapinhas como são conhecidos os presépios
na minha terra. Tinham 2 versões: a escadinha e a rochinha. Na minha casa a
tradição ficava-se pela escadinha. Era armada em cima da cómoda ou mesa, com 2
/ 3 degraus em que no cimo se colocava uma Imagem do Menino Jesus de pé. Nos
diversos degraus eram colocadas fruta, pequenos vasos de trigo, imagens de pastores
e outros adornos que por vezes nada tinham a ver com a quadra. Era feito um
arco à volta do menino com ramos de “Alegra Campo”, onde as crianças penduravam
os balões.
Na rochinha as pessoas
tentavam recriar a paisagem da Ilha.
... que saudades da Noite do Mercado. Na noite de 23 Dezembro toda a família convergia para a
cidade, para o mercado dos lavradores. Faziam-se as últimas compras de Natal.
Por vezes, era nesta noite que se comprava o Pinheiro e o Alegra Campo.
…
e que saudades da Missa do Galo. Na noite de 24, à meia-noite,
toda a família se dirigia para o Igreja da sua localidade. Ambiente de festa e alegria.
Todos cantavam as canções alusivas a época. Os templos enchiam-se de povo. Na
rua a rapaziada ia fazendo estalar as “bombas” assustando as raparigas e os
graúdos também. Nas zonas mais rurais a deslocação para a Missa era feita em
grupos que tocavam e cantavam ao desafio. No
regresso a casa, a família reunia à mesa para tomar a tradicional canja, comer
sandes de galinha, doces e saborear os licores caseiros.
... no Dia de
Natal, enquanto os
adultos prolongavam o seu descanso matinal, a criançada levanta-se cedo e
corria para a cozinha, para o fogão, onde o Pai Natal, durante a noite, descera
pela chaminé e deixara os presentes. O
resto do dia era passado em família. Ao almoço, o prato tradicional, era a
carne de vinho e alhos
...
finalmente chegava a noite de Fim do Ano. O
anfiteatro do Funchal transformava-se num presépio iluminado. A cidade enchia-se
de turistas. Manifestações culturais aconteciam por todo o lado. Todos iluminavam
as suas habitações. Todos estendiam as suas gambiarras de lâmpadas coloridas.
Das varandas lançava-se “fogo”
de todas as maneiras, feitios e tamanhos. Eram as estrelinhas, os beijinhos, os
foguetinhos, as bombas pequenitas e maiores num sem fim de material para
queimar em pouco tempo. Entretanto todos procuravam
as zonas mais altas de forma a melhor visualizarem a baía do Funchal.
Finalmente a meia-noite. Do mar ouviam-se as sirenes dos cruzeiros e demais
embarcações. O espetáculo pirotécnico começava com coreografias e uma
conjugação de cores harmoniosas a estalar por todos os lados. Todos se
cumprimentavam e desejavam um Bom Ano.
... no Dia de Reis as pessoas percorria as casas de amigos e familiares, tocando e cantando
canções adequadas à época.
... as comemorações natalícias continuavam até o Dia
Santo Amaro (15 de Janeiro). Grupos de
homens e mulheres apresentavam-se às portas dos seus amigos e famílias, munidos
de uma vassoura. Havia que varrer os armários. A Festa tinha acabado. Desmanchavam-se a lapinha e o
pinheiro, comiam-se e bebiam-se os últimos doces e licores.
Hoje, graças ao empenho de muitos grupos sociais, grupos
de música tradicional e juntas de freguesia, todas estas tradições não
morreram. Muitas delas continuam com grande visibilidade.
Dez 2015
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