Manifestação
“Que se lixe a Troika”
Estive
solidário com a manifestação de protesto desencadeada por todo o país, no dia
de hoje, sábado, contra as políticas de austeridade do governo; contudo, não me
consigo associar ao movimento “que se lixe a tróica” e passo a explicar:
Quer
se chame tróika ou outro nome qualquer, Portugal atingiu, num passado recente,
um nível de endividamento que conduziram as finanças públicas a uma situação de
“falência técnica”, que apenas poderia sobreviver com o apoio externo quer se
chame tróika ou, como disse, outra coisa qualquer. Esta é uma realidade que não
podemos ignorar. E mais, os credores é que impõem as regras do jogo, disso não tenhamos
duvidas.
Gostaria
de saber, por parte das forças politicas que condenaram o pedido de apoio
externo, como resolveriam a situação de rotura financeira que Portugal viveu e
ainda vive. Sinceramente tenho muita curiosidade.
Durante
a manifestação de hoje ouvi imensos desabafos: “fora com a troika”, “rua com o
governo”, “forças armadas na rua e novo 25 de abril”, etc., etc.
Todos
temos consciência que esta austeridade, sem contrapartidas, está a levar o povo
à miséria. Hoje, de manha, passando numa artéria da nossa cidade de Évora, constatei
que, porta sim, porta não, havia um estabelecimento comercial fechado.
Eu próprio,
na situação de reformado, depois de 38 anos de trabalho, vi o meu rendimento
mensal reduzido, desde o início deste ano, em cerca de 18 %. Acrescente-se a
esta redução os aumentos generalizados do custo de vida. A este propósito,
interrogo-me, por que razão, têm os reformados de pagar, para além da sobretaxa
de IRS, uma taxa a que chamam de “contribuição
extraordinária de solidariedade” que, para quem não sabe, tem os seguinte
valores:
0 a 1.350 Euros ………………….. 0%
1.350
a 1800 Euros………….……….. 16%
+
de 3.7500 euros ….………………… 10%
Pois
bem, concluo que as medidas de austeridade estão a ser cegas. Também reconheço
que o país chegou a uma situação financeira que não aguenta mais os encargos
que ao longo do tempo foram sendo assumidos pelos diversos governos, por questões
ideológicas e eleitorais, mas sempre à custa de endividamento externo.
As “conquistas
de Abril”, que o povo hoje tanto reclama, foram adquiridas, muitas delas, sem
qualquer sustentabilidade, a tal ponto que chegamos à rotura financeira que
hoje vivemos. Temos de ter consciência desta triste situação.
Um
das vozes mais sonantes nesta manifestação foi, “Governo para a Rua”. Nada
tenho contra. Apenas me interrogo do seguinte. Se este governo cair, a alternância
é, naturalmente, um governo do PS que,
como todos sabemos e para quem tem a memória fresca, levou este país, com a sua
política, dita social, à situação de falência que estamos agora todos a pagar.
Mesmo assim, não tenho duvida que os atuais líderes do PS, pese embora a demagogia
própria de quem não está no governo, não terão hipótese de seguir politica
muito diferente da atual. E, abstenho-me de fazer mais comentários.
Não
sou um Velho do Restelo nem tão pouco quero ser pessimista ou derrotista. Quero
apenas ser realista. Sendo assim, que nos resta?
Todos
temos consciência e todos sentimos que vivemos uma crise económica e financeira
de proporções imprevisíveis. Esta crise põe em causa muitos dos direitos
fundamentais dos trabalhadores e da população em geral
O Primeiro
ministro é o único que ainda não tomou consciência de tal situação. Vive num
mundo de fantasia alimentando e alimentado pela pobreza de espírito dos seus
seguidores e "boys" que dominam sem qualquer sentido de estado ou bem
fazer a hierarquia do poder económico e funcionalismo do estado. Felizmente,
alguns - muito poucos - mais conscientes, reconhecem, em surdina, que o “rei
vai nu”.
Concluo
que a demissão do governo não é a solução. Mais uma crise politica em nada vai ajudar
a resolver o problema do país, Uma coisa é certa, precisa de ser remodelado.
Miguel Relvas deve abandonar o elenco governativo e os Ministérios da Economia
e Agricultara devem ser reformulados.
Passos Coelho não pode ignorar o manifesto de indignação dos portugueses.
O Presidente da Republica tem de intervir, tem de quebrar o silencio e explicar ao país o que pensa da atual situação e criar condições para que a atual politica de austeridade seja minimizada.
Assim, entre outras:
·
É preciso revitalizar a economia. Aligeirar ao
carga fiscal de forma a aumentar o consumo interno e evitar mais falências e
desemprego.
·
Reduzir a despesa pública, entre muitas:
o
Colocando nas hierarquias do funcionalismo do
estado profissionais da própria estrutura e não “boys” que nada acrescentam ao
serviço e apenas acumulam ordenados e reformas de outros serviços de onde
vieram e só contribuem para a degradação dos serviços onde são colocados. Há
que profissionalizar os serviços públicos.
o
Aproveitando a potencialidade dos quadros
existentes no funcionalismo público em vez de recorrerem a serviços externos.
o
Fiscalizando e suspendendo as arbitrariedades
dos dirigentes que só contribuem para agravar o ambiente e degradação da
relação de trabalho desmotivando e naturalmente reduzindo o nível de produção
da função pública.
·
Ajudar as PME’s, motor do emprego, com
programas financeiros e económicos que permitam o desenvolvimento e dinamização
da sua atividade.
·
Controlar e credibilizar as remunerações
fixas e variáveis dos gestores das empresas públicas.
·
Rever as reformas e ajudas de custo e outros
benefícios financeiros dos deputados, membros do governo, autarquias e gestores
públicos.
·
Renegociar, urgentemente, o serviço da divida
externa, quer em prazo quer em valor das taxa a pagar.
Em suma, neste meu desabafo,
ao sabor da pena, gostaria de ver o Primeiro Ministro deixar-se de fantasias e
intervenções bem falantes que nada dizem e apenas contribuem para agravar a
minha revolta e da grande maioria dos portugueses e assumir a situação efetiva
do país e dizer que “os sacrifícios serão para todos”.
Assumir
que o povo já não aguenta mais sacrifícios.
Tirar
conclusões do manifesto de indignação dos portugueses por todo o território nacional
e ouvir o que os parceiros sociais têm para propor.
O
Mexilhão
Sem comentários:
Enviar um comentário