sábado, 2 de março de 2013

Manifestação “Que se lixe a Troika

Publicado "Mais Évora" 3/3/2013
Manifestação “Que se lixe a Troika”
 

Estive solidário com a manifestação de protesto desencadeada por todo o país, no dia de hoje, sábado, contra as políticas de austeridade do governo; contudo, não me consigo associar ao movimento “que se lixe a tróica” e passo a explicar:

Quer se chame tróika ou outro nome qualquer, Portugal atingiu, num passado recente, um nível de endividamento que conduziram as finanças públicas a uma situação de “falência técnica”, que apenas poderia sobreviver com o apoio externo quer se chame tróika ou, como disse, outra coisa qualquer. Esta é uma realidade que não podemos ignorar. E mais, os credores é que impõem as regras do jogo, disso não tenhamos duvidas.

Gostaria de saber, por parte das forças politicas que condenaram o pedido de apoio externo, como resolveriam a situação de rotura financeira que Portugal viveu e ainda vive. Sinceramente tenho muita curiosidade.

Durante a manifestação de hoje ouvi imensos desabafos: “fora com a troika”, “rua com o governo”, “forças armadas na rua e novo 25 de abril”, etc., etc.

Todos temos consciência que esta austeridade, sem contrapartidas, está a levar o povo à miséria. Hoje, de manha, passando numa artéria da nossa cidade de Évora, constatei que, porta sim, porta não, havia um estabelecimento comercial fechado.

Eu próprio, na situação de reformado, depois de 38 anos de trabalho, vi o meu rendimento mensal reduzido, desde o início deste ano, em cerca de 18 %. Acrescente-se a esta redução os aumentos generalizados do custo de vida. A este propósito, interrogo-me, por que razão, têm os reformados de pagar, para além da sobretaxa de IRS, uma taxa a que chamam de “contribuição extraordinária de solidariedade” que, para quem não sabe, tem os seguinte valores:

       0 a 1.350 Euros ………………….. 0%

1.350 a 1800 Euros………….……….. 16%

+ de 3.7500 euros ….………………… 10%

Pois bem, concluo que as medidas de austeridade estão a ser cegas. Também reconheço que o país chegou a uma situação financeira que não aguenta mais os encargos que ao longo do tempo foram sendo assumidos pelos diversos governos, por questões ideológicas e eleitorais, mas sempre à custa de endividamento externo.

As “conquistas de Abril”, que o povo hoje tanto reclama, foram adquiridas, muitas delas, sem qualquer sustentabilidade, a tal ponto que chegamos à rotura financeira que hoje vivemos. Temos de ter consciência desta triste situação.

Um das vozes mais sonantes nesta manifestação foi, “Governo para a Rua”. Nada tenho contra. Apenas me interrogo do seguinte. Se este governo cair, a alternância é, naturalmente,  um governo do PS que, como todos sabemos e para quem tem a memória fresca, levou este país, com a sua política, dita social, à situação de falência que estamos agora todos a pagar. Mesmo assim, não tenho duvida que os atuais líderes do PS, pese embora a demagogia própria de quem não está no governo, não terão hipótese de seguir politica muito diferente da atual. E, abstenho-me de fazer mais comentários.

Não sou um Velho do Restelo nem tão pouco quero ser pessimista ou derrotista. Quero apenas ser realista. Sendo assim, que nos resta?

Todos temos consciência e todos sentimos que vivemos uma crise económica e financeira de proporções imprevisíveis. Esta crise põe em causa muitos dos direitos fundamentais dos trabalhadores e da população em geral

O Primeiro ministro é o único que ainda não tomou consciência de tal situação. Vive num mundo de fantasia alimentando e alimentado pela pobreza de espírito dos seus seguidores e "boys" que dominam sem qualquer sentido de estado ou bem fazer a hierarquia do poder económico e funcionalismo do estado. Felizmente, alguns - muito poucos - mais conscientes, reconhecem, em surdina, que o “rei vai nu”. 

Concluo que a demissão do governo não é a solução. Mais uma crise politica em nada vai ajudar a resolver o problema do país, Uma coisa é certa, precisa de ser remodelado. Miguel Relvas deve abandonar o elenco governativo e os Ministérios da Economia e Agricultara devem ser reformulados.

Passos Coelho não pode ignorar o manifesto de indignação dos portugueses.

O Presidente da Republica tem de intervir, tem de quebrar o silencio e explicar ao país o que pensa da atual situação e criar condições para que a atual politica de austeridade seja minimizada.

Assim, entre outras:

·         É preciso revitalizar a economia. Aligeirar ao carga fiscal de forma a aumentar o consumo interno e evitar mais falências e desemprego.

·         Reduzir a despesa pública, entre muitas:

o   Colocando nas hierarquias do funcionalismo do estado profissionais da própria estrutura e não “boys” que nada acrescentam ao serviço e apenas acumulam ordenados e reformas de outros serviços de onde vieram e só contribuem para a degradação dos serviços onde são colocados. Há que profissionalizar os serviços públicos.

o   Aproveitando a potencialidade dos quadros existentes no funcionalismo público em vez de recorrerem a serviços externos.

o   Fiscalizando e suspendendo as arbitrariedades dos dirigentes que só contribuem para agravar o ambiente e degradação da relação de trabalho desmotivando e naturalmente reduzindo o nível de produção da função pública.

·         Ajudar as PME’s, motor do emprego, com programas financeiros e económicos que permitam o desenvolvimento e dinamização da sua atividade.

·         Controlar e credibilizar as remunerações fixas e variáveis dos gestores das empresas públicas.

·         Rever as reformas e ajudas de custo e outros benefícios financeiros dos deputados, membros do governo, autarquias e gestores públicos.

·         Renegociar, urgentemente, o serviço da divida externa, quer em prazo quer em valor das taxa a pagar.
 
Em suma, neste meu desabafo, ao sabor da pena, gostaria de ver o Primeiro Ministro deixar-se de fantasias e intervenções bem falantes que nada dizem e apenas contribuem para agravar a minha revolta e da grande maioria dos portugueses e assumir a situação efetiva do país e dizer que “os sacrifícios serão para todos”.

Assumir que o povo já não aguenta mais sacrifícios.
Tirar conclusões do manifesto de indignação dos portugueses por todo o território nacional e ouvir o que os parceiros sociais têm para propor.

O Mexilhão

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